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9-abril-2026 Ano 2

A falta de investimento desafia o basquete brasileiro atualmente

Quadras impróprias para uso e falta de infraestrutura limitam o desenvolvimento de jovens atletas que almejam um dia alcançar a…
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Quadras impróprias para uso e falta de infraestrutura limitam o desenvolvimento de jovens atletas que almejam um dia alcançar a carreira profissional dentro do esporte.

O basquete brasileiro vive um momento incrivelmente curioso, a procura pelo esporte aumentou drasticamente, com iniciativas como o canal NBA Brasil no YouTube, e pelo crescimento do Novo Basquete Brasil, o NBB, que vem ganhando cada vez mais visibilidade. Mas longe dos holofotes e das câmeras, a realidade é marcada por improviso e abandono, principalmente nas categorias de base. 

Em São Paulo, o Parque Ceret, um dos mais conhecidos da zona leste, consegue exemplificar bem o descaso com a infraestrutura pública. Piso estufado e rachado, tabela enferrujada, só expõe ainda mais a despreocupação e sinais claros de desgaste que expõem a falta de manutenção e cuidado com o esporte – Foto: Autor/Agenzia

Para Carlos Castilho, ex-técnico do time Basquete Osasco, o ponto central de toda trama não é só a falta de investimento, mas a forma como tudo é organizado. “Temos que entender que é um problema do modelo de negócio. Não podemos pegar o dinheiro da reforma da piscina para utilizar no basquete ou vice-versa”, diz. “Isso ocorre muitas vezes porque a modalidade não é sustentável e acaba sobrecarregando o clube.”

Segundo ele, muitos dos clubes que têm base acabam tratando do basquete como um setor secundário. Pegue o caso do São Paulo Futebol Clube, que de maneira repentina, que pouco antes do início das competições do Sub-18 e Sub-20, encerrou as atividades no esporte, sem dar nenhuma explicação prévia a nenhum dos atletas fazendo com que muitos ficassem sem clube e perspectiva de continuidade.

Isso poderia acarretar em uma falta de motivação aos atletas, mas mesmo com todas as adversidades não falta interesse por parte deles e dos jovens praticantes do esporte. “Voltamos a viver um momento muito bom em termos de procura. Garotos e garotas procuram mais o basquete do que há 20 anos”, afirma o treinador Castilho. 

Com uma possível e ainda que leve retomada, o sistema ainda não consegue absorver o interesse da nova geração. Isso se reflete também na saída precoce de talentos para o exterior, como o joinvilense Mathias Alessandro. O jovem deve atuar pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Outro exemplo é o de Samis Calderon, do Espírito Santo, que estuda e joga na Universidade de Kansas (Kansas Jayhawks).

Enquanto isso, a realidade de quem ainda está no Brasil…

Mas para quem segue tentando construir uma carreira dentro do País, o cenário é bem diferente. Segundo o relato de Augusto Zaneti, jogador do Sub-18 do Mogi Basquete, as coisas são um pouco menos profissionais do que parece. “Não tenho contrato, recebo uma ajuda de custo que o clube me proporciona, que é bem menos que um salário mínimo”, explica. 

O ambiente de treino no clube é considerado adequado dentro dos padrões nacionais. Mas os problemas aparecem, principalmente, nas viagens para jogos no interior. “Quando a gente vai jogar no interior, o clube da casa às vezes não tem muitas bolas, a quadra tem o piso meio que estufado, sabe? Até pra bater bola é ruim”, afirma.

Isso não se trata apenas de um desconforto ou falta de vontade dos atletas, mas a segurança dos jogadores, quadras ruins e desgastadas aumentam o risco de lesão e o desenvolvimento do jogo. Esse contexto acaba criando um contraste enquanto a formação de jovens talentos que buscam a profissionalização e outros que não tem condições básicas de treinamento.

Foto: Arquivo Pessoal

Quando a falta de estrutura no basquete reflete na saúde

A infraestrutura não reflete só na qualidade do jogo, mas também na saúde dos atletas. Pode até se transformar em um problema físico que se torna, muitas vezes, estrutural. Muitos clubes se ressentem de uma falta de profissionais que proporcionem uma qualidade física e mental para o atleta.

O estudo da Revista Brasileira de Medicina do Esporte aponta o basquete como um dos esportes que mais exigem dos praticantes, pois há uma alta exigência física, movimentos intensos e com muitas trocas de direções e os impactos constantes. Em ligas bem estruturadas isso é compensado com controle de carga, recuperação e um ótimo suporte profissional. 

Na NBA, que tem um calendário extremamente intenso, os times contam com estruturas médicas completas, controle dos minutos em quadra e um centro de treinamento de alto nível. No Brasil, especialmente fora do NBB, acontece o oposto. O calendário ainda que mais espaçado é marcado pela falta de uma boa estrutura e acaba contribuindo para que o impacto físico seja perigoso para a vida dos atletas. 

No NBB, as principais equipes como Franca, Bauru e o próprio Mogi, contam com uma organização um pouco maior, mas enfrentam outros desafios como viagens longas, menor profundidade de elenco e menos recursos para recuperação. E no cenário da base é ainda mais crítico, com campeonatos mal organizados, tendo a falta ou o excesso de jogos, ou seja, a irregularidade do calendário. Fazendo com que o corpo não se adapte e gere um ciclo preocupante, pouca estrutura, preparação inadequada, quadras insalubres, maior risco de lesão, menor desenvolvimento.

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João Capelo

Estudante de Jornalismo da faculdade Cásper Líbero,