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9-abril-2026 Ano 2

Medo de ficar de fora (Fomo) alimenta o consumo na Geração Z

O “medo de ficar de fora”, mais conhecido como Fomo (Fear Of Missing Out), é um fenômeno social antigo, mas que ganhou mais força com o surgimento das redes sociais e a necessidade humana de estar sempre conectado.
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Mais de 80% dos jovens da geração Z consomem conteúdos de influenciadores digitais, o que os fazem consumir cada vez mais conforme as tendências atuais, diz estudo da Trope com parceria da Youpix, consultoria especializada na Creator Economy.  Evidenciando então a forte influência das redes sociais no estímulo de fenômenos, como o Fomo. O “medo de ficar de fora”  segundo o dicionário de Oxford se refere a uma “sensação de preocupação com a possibilidade de um evento interessante ou emocionante estar acontecendo em outro lugar”, que pode ser associada a várias situações, entre elas as redes sociais e o consumo.

O consumismo na geração Z

Os jovens, com destaque na geração Z (nascidos entre os anos 1997 e 2012) são os mais afetados pelo Fomo, uma vez que são os mais familiarizados com as redes sociais, que de acordo com o artigo “Adolescent social media addiction”, escrito pelos pesquisadores Daria J Kuss e Mark D Griffiths, é caracterizada como um fenômeno global de consumo e  por isso são mais vulneráveis aos seus efeitos. A internet proporciona a exposição de uma diversidade de assuntos, principalmente voltados para estilo de vida e ostentação, como viagens, roupas novas, visitas à restaurantes e outros estabelecimentos e consumo no geral. O que faz com que muitos queiram consumir as mesmas coisas que os outros.

Como a geração Z representa cerca de 20% da população do Brasil, o consumo por esses jovens é extremamente significante para o mercado, que por isso busca sempre construir tendências que os farão querer consumir. Diante disso, as redes sociais também são repletas de publicidades e propagandas, fazendo com que o estímulo ao consumo seja constante para esse público, fortalecendo assim o consumismo (ato de comprar de forma impulsiva, excessiva e desnecessária) pelos mesmos. 

Relação do “medo de ficar de fora” com o consumismo

As estratégias de consumo adotadas pelo mercado vão muito além da simples oferta de produtos, envolvendo mecanismos psicológicos voltados à influência do comportamento dos consumidores. Na atualidade isso se vê muito presente na capacidade dos publicitários de utilizarem tendências da geração Z, sendo uma delas o Fomo, para atrair esse público para o consumo dos seus produtos. 

O fenômeno conhecido pelo medo de ficar de fora de alguma situação ou padrão se tornou um dos principais mecanismos de persuasão do mercado, deixando de ser apenas uma emoção natural e isolada. Esse medo de ficar de fora não se limita a eventos sociais, mas também na falta de utilização de bens materiais, como novas roupas e tecnologias. Ao perceberem esse movimento, as marcas passaram a provocar, de forma proposital, esse sentimento de exclusão e, por consequência, a urgência de pertencimento. Isso ocorre principalmente por meio de propagandas que trazem slogans, como “agora só falta você” ou “todo mundo está usando”, causando a sensação de que todos à sua volta estão utilizando aqueles produtos e por essa simples razão eles também devem tê-los.

O impacto proposital que essas marcas causam sobre os jovens vai além da intensificação do consumismo e afeta também a mentalidade e o comportamento desse público. Nesse sentido, a psicóloga Gabrieli Nieman, especializada em psicanálise e análise do contemporâneo, que atua com jovens na Fundação Casa de São Paulo, explica em entrevista à Agenzia, como essa relação tem afetado os jovens. Para ela, o Fomo é um fenômeno que depende muito do contexto que está inserido e que deve ser analisado com cautela, uma vez que ele pode ser confundido com transtornos mentais que também afetam a Gen Z. É possível ainda analisar que um dos mais claros sintomas é a intensificação de problemas com a autoestima.

Em suas palavras : “um processo formado durante toda nossa vida, devido a comparação entre os indivíduos sociais”.

Com maior acesso à informação, isso vem ampliando as possibilidades de comparações com mais pessoas e estilos de vida. 

Impacto das redes sociais no consumismo e Fomo na geração Z

As redes sociais estão se tornando cada dia mais presentes no cotidiano e o que era, na teoria, um local de socialização, converteu-se para palco de ansiedade, impulsividade e inseguranças. O desejo pela aceitação leva pessoas a desvencilharem-se de seus próprios interesses para consumir novas tendências, por consequência da busca por um grupo para cessar o sentimento de solidão e isolamento. 

Com a alta exposição e o grande estímulo de novos produtos nas telas, a ocorrência das ditas microtendências — fenômenos pontuais e de curto prazo — tornou-se mais presente. Com a ajuda dos influenciadores e das publicidades, o consumo desses produtos se envolve em um ciclo rotativo, estimulado pelo Fomo dos jovens que desejam estar inseridos nas novas tendências. 

Bruna Nakamura, gerente de canais e engajamento da agência África, afirma que a publicidade é um potencializador do medo de ficar de fora e do consumismo, já que a mesma é introduzida para gerar desejo e estimular um comportamento ou uma ação. O sentimento é utilizado como atalho no meio do processo e através de ferramentas como gatilhos de escassez e gatilhos de pertencimento e exclusão, as redes sociais consolidaram-se como um grande canal de disseminação desses produtos.

“A marca coloca investimento em mídia para que o máximo de pessoas sejam impactadas por isso, ou seja, o máximo de pessoas possíveis queiram aquele produto” afirmou à Agenzia.

O fenômeno passou a ser necessário pela ótica aspiracional do mercado, utilizando-se do mesmo para continuar tendo relevância e, assim, vender seus produtos e serviços. 

Relato de consumismo por Fomo  

 Pode-se dizer que o “medo de ficar de fora” induz diretamente às mudanças e o aumento do consumo,o que pode ser observado com o caso do vestido de crochê usado pela influenciadora Virginia Fonseca, que tem 55 milhões de seguidores. A peça passou a ser desejada por muitas pessoas, meramente por ter viralizado (visualizada por 2 milhões de curtidas em seu perfil), e se tornou uma tendência. A busca por esse produto aumentou expressivamente, o que é um claro exemplo de como o Fomo influência nos movimentos de consumo na atualidade.

Outro caso famoso, foi o do morango do amor, um doce comum que passou a ser cobiçado por todo o Brasil, após ser viralizado nas redes sociais. Seu preço aumentou, já que a demanda era altíssima, e tudo isso, por ter valorizado o produto.

A forma como as tendências vão mudando, vai alterando as vontades pessoais, que assim acabam cada vez mais se baseando apenas no “medo de ficar de fora”, e de não estar incluído no que a maioria das pessoas fazem. Isso ocorre com eventos, produtos, e até mesmo alimentos, que, ou seja, ao viralizarem nas redes, tem um aumento em suas buscas. Nesse momento, até o preço é ignorado, e as pessoas acabam fazendo de tudo para participar da tendência.

Consequências do “medo de ficar de fora”

A tendência natural é que esse fenômeno atinga o bolso dos jovens, já que o gasto excessivo e constante, é um dos efeitos do “medo de ficar de fora” por não estar consumindo o que “todos já compraram”. Ocorre que muito se consome, mas a vontade de consumir não é satisfeita, ou a satisfação dura pouco, até que surja outro produto que é “preciso comprar”, e desperta o medo e a ansiedade em “ficar para trás”.

Dessa forma, o consumo baseado nesse “medo” nunca tem um fim. E na maioria das vezes o bolso prejudicado é o dos pais dos jovens, uma vez que ele em si não tem renda para bancar seu consumo. Surgem novas tendências, e os jovens sentem a necessidade de se incluir nela, e assim, o que foi adquirido ontem, já não tem mais tanta importância naquele momento, e assim sucessivamente, enquanto seus gastos triplicam e a ansiedade se torna mais presente.

Como consequência temos o aumento desenfreado de casos de depressão, ansiedade e outros transtornos mentais. Os casos envolvendo saúde mental, são constantes em contextos em que o jovem tem que lidar com a rejeição, por muitas vezes seus pais não terem condições financeiras naquele momento para comprar o que o jovem quer, que seria o que está “todo mundo usando”. Logo, os jovens acabam desenvolvendo o sentimento de estar sendo excluído, o que pode despertar ansiedade, ou até mesmo depressão.

Autores

  • Estudante de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, amante da área de comunicação e os seus impactos na sociedade.

  • Estudante de Jornalismo, interessada em dar voz para histórias que não recebem o reconhecimento que merecem e em escrever sobre questões sociais.

  • Estudante de jornalismo interessada em assuntos diversos que ama falar sobre cultura e entretenimento 💫

     

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    Estudante de jornalismo de 18 anos, aficionado por futebol e colunas esportivas.

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Júlia Holanda de Azevedo

Estudante de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, amante da área de comunicação e os seus impactos na sociedade.